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eco


L' Umanitá contro el male, Gaetano Cellini 1908 photo by Massimo Cuomo @ flickr

De onde vêm as palavras
e para onde vão?
Por que esquinas se roçam,
por que caminhos se perdem?
Por onde se quedam
e por onde se rendem,
por onde se prendem
e por onde se acham
escravas
incólumes
vergastas
impunes,
trevas
pirilampos
cardumes
núvens
céu?

Porque são elas portas
tais, assim, portais
e chão e pão
e enlace e navalha?
Porque calha
as palavras serem mão
e serem pedra,
eco
perfume
sortilégio
e gume,
mágoa
suspiro
risada
e perderem-se em água
e onda e nada?

E porque sempre regressam
como se fruto maduro ao ventre verde
ou como vento suão e voraz
quando já nada se pode,
mesmo quando não
se
querem
mais?

Morrerão alguma vez as palavras
como morrem os sonhos
e se fecham os lábios e as mãos,
e se apagam
finalmente
os dias
os olhos
os ecos
as vozes?

 

© Nina Light CC-BY-NC-ND


image credit: “L’Umanitá contro el male”, Gaetano Cellini (1908), photo by Massimo Cuomo found @ eccelenze-italiane.tmblr.com

 
 
 

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