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fim do dia, no café


Queixa-se ele
da incapaz indiferença
dos dias, feitos de vendavais
e de borrascas várias e do fastio
de horas vagas
e vazias

e amargas

a correrem inexoráveis
como as águas do rio
se precipitam
para um qualquer mar.

Queria estar noutro lado,
diz-lhe, um qualquer e outro lugar,
porque tem que haver mais
do que só isto
desespero destino e fado.
Precisava de romper,
partir,
e só vejo o tempo a fugir.
Vens comigo?
Porque afinal querer
não é pecado,
nem o é sonhar.
Não achas?

Senta-se ela,

o olhar vago
de fastio
e vazio
e amargo
e distante,
ausente indiferente
entre a ponta do sapato
de tiras de nome e sobrenome
empoleirado na ponta do pé
pequeno de alabastro e cerejas,
e as pontas das unhas
das mãos esguias
e frias e
polidas de um vermelho
sangrante.

O quê?, pergunta-lhe.

E ele responde,
finalmente derrotado:

Nada.
 
 
© Nina Light CC-BY-NC-ND


 
 
 

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