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desencontro


 
 
Olho-te
a ti verdade agora incoesa
como quem olha a terra acesa

de tanto canto e verde e flores,
minha terra amada agora molhada
de pranto e de querer e dores.

E olho-te ainda,
tu verdade infinda desta minha mão
terreno bravo e bravio e meu telhado e chão

que agora se calam
e assim consentem
tão tamanha negridão.

Eras tu meu corpo e minha alma
travo da música que sempre trago comigo,
meu porto de calma e abrigo

redenção. Por onde andas tu agora
e que portas abriste,
por que estradas fora te foste, partiste

e por onde caminhas, feita hoje do sal e fel
do passar de anos e deste teu destino,
deste terrível e amargo mel

que tão inocente era quando o tempo ainda era menino?
Por onde vais
e que palavras trais com o não dizer,

que gestos apagas com o não calar, o já não ser?
Lá fora, estranha a esta frieza e tão triste solidão
que nos é agora lar, existe uma pureza

uma outra verdade incólume e intensa
que me é mar e cor, imensidão.
E eu olho-te.

Olho-te ainda, feita como assim me fazes
agora, de fadiga e desalento e desencontro.
Olho-te com este olhar que me trazes

comprado feito e frio
nas tuas mãos, nos teus olhos, no teu ser
já tão vazio.

— e então eu sei. Sei que o partir será agora
como ficar, apenas castigo
e impossível porto de abrigo.

 

 

© Nina Light


image found on Pixabay
 
 
 

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