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a lua

    Caminham lado a lado, a mulher e o rapazito. Por vezes ele saltita e rodopia, e ela olha-o e sorri como quem se lembra de outras coisas assim. Outros saltos e rodopios. Por vezes ele pára-a, diz-lhe, “olha ali! Olha, olha ali!“ – “É um elefante, estás a ver? Ali a tromba, e as orelhas…“ E ela olha. E vê. É uma cabeça de elefante, a tromba semi-encaracolada, o olho enorme e profundo como um espelho azul de céu, as orelhas enormes espraiadas lado a lado.

vagas

Tantas que são as palavras todas que rimam com a rima única que é amor: conto-as, pelos dedos desfiados todos aqueles fins contados, que se desfiam como as águas e se abrem como as mágoas dos meus olhos palavras tantas, aos molhos como se não mais que flores fossem, ou ávidos dedos que leves rocem na familiaridade da tua pele na brancura exangue do meu papel. Conto-as. Todas quantas foram e vão dos meus lábios à tua mão, do calor à apenas dura dor: as todas, palavras tantas, que levarei rente na memória palavras amargas vagas salgado mar que tu indiferente assim assentas pelo livro da nossa história.   © Nina Light